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Ao menos 27 mil hectares de madeira foram explorados sem autorização no Pará entre agosto de 2019 e julho de 2020, diz Imazon

Concentra√ß√£o da explora√ß√£o de madeireira √© na Terra Ind√≠gena Ba√ļ, que corresponde a 158 campos de futebol.

Por Redação em 14/09/2021 às 17:02:53
Madeira apreendida em operação da Semas-PA ¬- Foto: Alex Ribeiro / Agência Pará

Madeira apreendida em operação da Semas-PA ¬- Foto: Alex Ribeiro / Agência Pará

Mais da metade da √°rea com explora√ß√£o madeireira no Par√° n√£o foi autorizada por órg√£os ambientais. É o que diz o mapeamento do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), divulgado nesta ter√ßa-feira (14). A √°rea total mapeada corresponde ao tamanho de Belém.

O Instituto analisou 50.139 hectares e constatou que 55% (27.595 hectares) n√£o t√™m autoriza√ß√£o dos órg√£os ambientais para explora√ß√£o da madeira. Nos outros 45%, a atividade foi permitida.

A pesquisa foi feita com dados correspondentes a agosto de 2019 a julho de 2020. No relatório anterior, que analisou agosto de 2018 a julho de 2019, a √°rea n√£o autorizada representava 38%.

Ainda de acordo com os dados do mapeamento, em rela√ß√£o a toda a √°rea com extra√ß√£o de madeira na Amazônia entre agosto de 2019 e julho de 2020, de 464 mil hectares, o Par√° foi o quarto estado com o maior território explorado, que correspondeu a 10,8% do total. N√£o foi detalhado o percentual ecoloca√ß√£o dos outros estados.

Sudeste paraense

De toda a √°rea explorada sem autoriza√ß√£o no estado, mais da metade (56%) concentrou-se no Sudeste (15.349 hectares). Em rela√ß√£o aos municípios, Paragominas foi o que teve a maior √°rea explorada sem permiss√£o, 8.073 hectares, representando 29%. Juruti foi o segundo, com 3.954 (14%), e Goianésia do Par√° ocupou o terceiro lugar, com 3.271 (12%).

"O Sudeste paraense é uma regi√£o que possui uma zona madeireira antiga, onde a atividade segue sendo bastante intensa devido à expans√£o da rede de estradas e à exist√™ncia de estoques florestais remanescentes", informou o pesquisador do Imazon, Dalton Cardoso.

Terra Indígena Baú

A maior parte da √°rea explorada sem autoriza√ß√£o foi em imóveis rurais cadastrados, que representam 64,2% da √°rea (17.726 hectares), e o restante da extra√ß√£o de madeira n√£o autorizada foi identificada nos assentamentos rurais, que tiveram 5.434 hectares explorados (19,7%); nos vazios cartogr√°ficos, 2.635 hectares (8,7%); nas terras n√£o destinadas, 1.858 hectares (6,8%); e em um território indígena, 158 hectares (0,6%).

Este território indígena trata-se da Terra Indígena Baú, que concentrou toda a explora√ß√£o madeireira n√£o autorizada em √°reas protegidas paraenses, de acordo com o mapeamento. A √°rea com derrubada de √°rvores no local corresponde a 158 campos de futebol. O G1 procurou a Funda√ß√£o Nacional do Índio (Funai) e aguardava retorno até a publica√ß√£o desta reportagem.

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Exploração x desmatamento

A explora√ß√£o madeireira é um problema ambiental que pode provocar a degrada√ß√£o florestal, mas n√£o é o mesmo que desmatamento. Na explora√ß√£o da madeira sem autoriza√ß√£o e planos de manejo, a terra é empobrecida por distúrbios. Este empobrecimento da floresta ocorre com a redu√ß√£o da biomassa florestal, da biodiversidade e dos estoques de madeira comerciais.

Apreens√£o de madeira em opera√ß√£o da Semas, em 2021 — Foto: Ag√™ncia Par√° /Reprodu√ß√£o
Apreens√£o de madeira em opera√ß√£o da Semas, em 2021 — Foto: Ag√™ncia Par√° /Reprodu√ß√£o

O mapeamento foi baseado em imagens de satélite e foi realizado pela Rede Simex, integrada por quatro organiza√ß√Ķes de pesquisa ambiental: Imazon, (Instituto de Conserva√ß√£o e Desenvolvimento Sustent√°vel da Amazônia (Idesam), Instituto de Manejo e Certifica√ß√£o Florestal e Agrícola (Imaflora) e Instituto Centro de Vida (ICV). Além de identificar as √°reas, os pesquisadores analisaram as autoriza√ß√Ķes para explora√ß√£o de madeira emitidas pelos órg√£os ambientais, o que permitiu apontar o percentual de legalidade da atividade.

O que dizem os órg√£os respons√°veis por fiscalizar

Sobre a an√°lise do Imazon, o Ministério do Meio Ambiente (MMA) informou ao G1 que "de forma integrada com o Ministério da Justi√ßa e Seguran√ßa Pública, Ministério da Defesa e demais órg√£os do governo federal, t√™m realizado opera√ß√Ķes de combate ao crime organizado e aos crimes ambientais em todas as regi√Ķes brasileiras, com destaque para as a√ß√Ķes conjuntas de combate ao desmatamento ilegal, realizada ao longo dos últimos meses".

Ainda na nota, o Ministério diz que reduziu em 32,45% o desmatamento no m√™s de agosto deste ano, se comparado com agosto passado. Especificamente sobre números relacionados à explora√ß√£o ilícita da madeira, o órg√£o n√£o respondeu.

A Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Par√° (Semas) informou em nota que de acordo com dados do Sistema de Integrado de Monitoramento e Licenciamento Ambiental da Semas (Simlam), nos anos de 2019 e 2020, foram emitidas 304 Autoriza√ß√Ķes para Explora√ß√£o Florestal – AUTEFs, abrangendo uma √°rea de 340 mil hectares.

De acordo com a Secretaria, as √°reas licenciadas s√£o monitoradas constantemente por sensoriamento remoto, através de imagens de satélite, relacionando estas informa√ß√Ķes com as movimenta√ß√Ķes virtuais dos créditos florestais.Com as Opera√ß√Ķes Amazônia Viva, foram apreendidos nove mil metros cúbicos de madeira explorada clandestinamente, além de equipamentos utilizados para a explora√ß√£o. A Semas alega ainda que cerca de 70% do território paraense s√£o terras federais.

Fonte: G1 Par√°

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